Quando entramos numa consulta após um diagnóstico de cancro, nem sempre sabemos o que perguntar. Entre o impacto emocional e a quantidade de informação, é natural que as dúvidas se acumulem ou que simplesmente não consigamos colocá-las em palavras.

Mas a verdade é esta: perguntar é uma parte essencial do processo.
É através das perguntas que compreendemos, ganhamos clareza e conseguimos participar nas decisões sobre o nosso próprio caminho.

Levar perguntas escritas ajuda a organizar o pensamento, a aproveitar melhor o tempo e a sair da consulta com mais segurança. E, sempre que necessário, pedir uma segunda opinião é uma forma legítima de reforçar essa confiança no caminho a seguir.

Foi a pensar na importância da preparação das consultas que decidi escrever este novo capítulo e, em simultâneo, fazer dele uma ponte de ligação ao Guia A Minha Mama, que também acautela e valoriza este momento.

Sobre o diagnóstico

Onde está localizado o meu cancro?
Que tipo de cancro tenho exatamente?
O tumor tem características específicas (HER2, recetores hormonais, etc.)?
Qual é o estadio da doença?
O que significa isso na prática para o meu caso?

Sobre o tratamento

Quais são as opções de tratamento disponíveis?
Qual é o objetivo deste tratamento (curativo, controlo, prevenção de recidiva)?
Porque me é recomendada esta opção de tratamento?
Existem outras alternativas?
Se quiser tomar suplementos vitamínicos, devo sempre consultar previamente o meu médico oncologista?

Sobre os efeitos secundários

Quais são os efeitos secundários mais comuns?
O que posso fazer para os minimizar?
Que sintomas me devem preocupar e que me levem a procurar ajuda dos profissionais de saúde?
O cabelo vai cair?
Se sim, em que momento?

Sobre o impacto no dia a dia

Vou conseguir manter a minha rotina?
Posso trabalhar durante o tratamento?
Existem restrições alimentares?
Posso praticar exercício físico?
Posso ir à praia? 

Sobre acompanhamento e futuro

Como será o acompanhamento após o tratamento?
Qual é o risco de recidiva?
Que sinais devo vigiar ao longo do tempo?
Que exames de rotina tenho de fazer?
Após a alta hospitalar, o meu médico de família deverá seguir algum protocolo preventivo?

Ir a uma consulta preparado não significa saber tudo, naturalmente, significa sim estar disponível para compreender. E dentro da possibilidade que todos temos em perguntar, escolher e participar, o importante é encontrar o que funciona melhor para si.
Fale sempre com o seu médico assistente. Se ter mais informações lhe dá tranquilidade, diga-o abertamente. Se prefere não conhecer todos os detalhes, isso também é válido e deve expressá-lo aos profissionais para que ajustem a comunicação.

Reflexão final:
Perguntar bem é, muitas vezes, o primeiro passo para desfazer confusões invisíveis.
— Ludwig Wittgenstein

Com amparo 🤍 
Sandra Matinhos 

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